quinta-feira, 16 de junho de 2016

Cidadão antidocente

Esta mensagem já peca por tardia, mas tinha de aparecer.
É dedicada a si, cidadão antidocente que tem por hábito rebaixar os professores nas caixas de comentários do Jornal de Notícias ou no "Blog de ArLindo".
Como eu não o conheço, vou tratá-lo pelo nome que as Finanças o tratam quando entrega a declaração de IRS, pelo que não ficará ofendido se o tratar por sr. Sujeito Passivo.
O sr. Sujeito Passivo tem por hábito afirmar que os professores trabalham muito menos horas por dia que os restantes trabalhadores. Isto já foi confirmado por uns e rebatido por outros vezes sem conta, pelo que não vale a pena estar a insistir por aí.
Só peço que olhe para as fotografias em baixo e tente adivinhar quando é que eu estive a corrigir as 1303 páginas que aí vê, correspondentes a 540 classificações referentes a 135 alunos. Há quem tenha muito mais para fazer, pelo que nem me queixo do trabalho que tenho de fazer, assim como não me queixo do meu salário - não ganho mal, comparativamente a muita gente. Mas também não sou uma "gordura" do estado.
Voltando ao desafio que lhe coloquei, não elaborei nem corrigi esses testes ENQUANTO dava aulas aos alunos - aquilo que o sr. Sujeito Passivo considera que é aquilo a que se resume o meu trabalho. Talvez não acredite nos números que lhe apresentei, mas a indicação da espessura e do peso talvez lhe abram os olhos. Para rematar, tive alunos que se queixavam de que os meus testes "não tinham imagens" - pelo que não há espaços mortos.
O sr. Sujeito Passivo defende um ensino exigente, no qual os alunos sejam avaliados com rigor (e com toda a razão), até porque a exigência acabou com o final dos exames da antiga quarta classe. Por esse motivo, percebe que cada uma dessas 1303 páginas tem de ser vista e revista cuidadosamente.
Sr. Sujeito Passivo, eu sei que toda a gente tem o pior trabalho do mundo (ou é mal paga, ou pelos horários, ou porque se esforça muito, ou porque lida com anormais, etc.). Só peço que nos tente entender um bocadinho.



Sem comentários: