quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Carro Queimado
Nem sei porque é que o homicida de Aguiar da Beira não incendiou um carro. Ficava o melhor título da história: "Carro queimado em Carro Queimado".
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
E SE FOSSE CONSIGO?
Ouvi dizer que a rubrica "E SE FOSSE CONSIGO?" da SIC regressará à antena brevemente. Vários temas foram abordados na primeira temporada: maus-tratos a idosos, alcoolismo, bullying, racismo, excesso de peso, violência doméstica, entre outros. À partida, parece que não restam muitos mais assuntos a serem abordados.
Todas as situações retratadas passavam-se na rua, procurando captar a reacção dos transeuntes que assistiam às cenas. Ora, o motivo deste texto é o de imaginar situações (não forçosamente à vista de toda a gente) que também merecessem um "E SE FOSSE CONSIGO?" dito de forma bruta e ameaçadora.
Situação 1: Benfiquista é levado a assistir a um jogo de futebol no meio dos Super Dragões
Um benfiquista compra um bilhete para assistir ao jogo do clube da sua terra, que milita nos distritais, e que vai receber o FC Porto na 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Nestas ocasiões os bilhetes são vendidos muito rapidamente, e o "nosso" adepto benfiquista tem de levar com a tortura dos Super Dragões para poder assistir ao jogo no estádio.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 2: Estudante muçulmano nas praxes académicas
É a época das praxes académicas. Um grupo de jovens (?) vestidos de preto insta um caloiro a responder "Ámen" à seguinte premissa (embora esses jovens não soubessem o que significa "premissa"): "Em nome do Dux, do teu amo e da tua condição desprezível".
Ora, acontece que o estudante em questão professa a religião islâmica, pelo que nem lhe cabe na cabeça submeter-se a semelhante tratamento. Vendo aqui o lançamento das sementes para um possível ataque terrorista, o grupo de jovens recita o seu cântico satânico:
"F-R-A! FRÁ! ***** F-R-E! FRÉ! ***** F-R-I! FRÍ! ***** F-R-O! FRÓ! ***** F-R-U! FRÚ!
FRÁ! - FRÉ! - FRÍ! - FRÓ! - FRÚ!
ALIQUÁ QUÁ QUÁ! (bis)
CHIRIBIRIBI-TÁ-TÁ-TÁ! (bis)
HURRA! HURRA! HURRA!
Aserejé ja de je
de jebe tu de jebere
seibiunouva majavi
an de bugui an de güididípi"
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 3: Indivíduo do BarclayCard interpela Testemunhas de Jeová
Vão duas Testemunhas de Jeová a caminhar num centro comercial [Eu sei que nunca ninguém viu duas Testemunhas de Jeová num centro comercial] e nisto são abordadas pelo/a representante da Barclaycard, que está no seu trabalho honesto de assediar quem por ali passa para que subscreva o cartão de crédito PremiumUltraPlusGold, de forma totalmente gratuita e sem qualquer mensalidade ou anuidade, por apenas 9,99€ por mês.
Vendo-se nesta situação desconfortável, as Testemunhas de Jeová perguntam-lhe se gosta de ler e se sabe o que é a Verdade.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 4: Testemunhas de Jeová interpelam indivíduo do BarclayCard
Vai um/a representante do Barclaycard na rua [Eu sei que nunca ninguém viu um representante do BarclayCard na rua] e nisto é abordado/a por duas Testemunhas de Jeová, que estão no seu trabalho honesto de abordar quem por ali perguntando-lhe se gosta de ler e se sabe o que é a Verdade.
Vendo-se nesta situação desconfortável, o/a representante do BarclayCard propõe a subscrição do cartão de crédito PremiumUltraPlusGold, de forma totalmente gratuita e sem qualquer mensalidade ou anuidade, por apenas 9,99€ por mês.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 5: Criança chora sem parar num restaurante
Um casal está num restaurante com o/a seu/sua filho/a. A criança, de muito tenra idade, desata a chorar e a berrar sem cessar, para evidente embaraço dos pais, que não estão a conseguir conter a situação.
Todos os clientes do restaurante, que já não suportam o choro e os berros da criança, fitam o casal com aquele olhar do género "A criança pára com isso, ou quê?", mas sem dizerem uma palavra.
As alternativas são as seguintes:
Alternativa 1: O pai aplica um sopapo na criança, que chora por ter levado um sopapo mas dali a 20 segundos passa a estar quieta.
Reacção dos espectadores: "Isto é inadmissível, no século XXI ainda há pais a baterem nos filhos".
Alternativa 1a: Exactamente o descrito antes mas com o pormenor de os pais serem estrangeiros - a reacção já passa a ser a seguinte: " Isso é assim mas é na vossa terra".
Alternativa 2: Os pais ficam-se apenas pelas advertências verbais e a criança continua a chorar. Os espectadores vão dizendo entre dentes "Estes pais agora não têm mão na canalha! Isto comigo era uma chapadona que ele/a nem piava".
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 6: Indivíduo vai estacionar, mas está lá um Smart escondido
Dia de Outono, com vento e chuva. O indivíduo procura um lugar para estacionar perto de casa e vê um lugar disponível. Coloca o carro no ângulo adequado para estacionar o carro rapidamente, mas para sua desgraça lá está o Smart da vizinha do prédio ao lado e que não se via a 10 metros de distância. O indivíduo é forçado a estacionar a 100 metros de casa e vem para casa carregado com uma infinidade de coisas, enquanto a vizinha do Smart assiste à janela divertida com a situação enquanto fuma o seu cigarro. O indivíduo abre a porta do prédio, e nisto repara que alguém acabou de tirar um carro do estacionamento mesmo à frente da porta do seu prédio.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 7: Indivíduo esmaga uma mosca no local errado, à hora errada
Num almoço de colegas, um indivíduo, farto da presença da mosca a esvoaçar em seu redor, consegue, juntando as palmas das mãos rapidamente, esmagar a mosca no seu voo. Faz para os outros aquele sorriso de "Aposto que vocês não eram capazes!" - o problema é que à sua frente está um ambientalista e defensor dos direitos dos animais, que lhe ensina em tom ríspido que acabou de danificar o ecossistema e que está a contribuir para a extinção da espécie.
E SE FOSSE CONSIGO?
Agora não me lembro de mais. Se me lembrar, logo ponho noutra mensagem.
Todas as situações retratadas passavam-se na rua, procurando captar a reacção dos transeuntes que assistiam às cenas. Ora, o motivo deste texto é o de imaginar situações (não forçosamente à vista de toda a gente) que também merecessem um "E SE FOSSE CONSIGO?" dito de forma bruta e ameaçadora.
Situação 1: Benfiquista é levado a assistir a um jogo de futebol no meio dos Super Dragões
Um benfiquista compra um bilhete para assistir ao jogo do clube da sua terra, que milita nos distritais, e que vai receber o FC Porto na 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Nestas ocasiões os bilhetes são vendidos muito rapidamente, e o "nosso" adepto benfiquista tem de levar com a tortura dos Super Dragões para poder assistir ao jogo no estádio.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 2: Estudante muçulmano nas praxes académicas
É a época das praxes académicas. Um grupo de jovens (?) vestidos de preto insta um caloiro a responder "Ámen" à seguinte premissa (embora esses jovens não soubessem o que significa "premissa"): "Em nome do Dux, do teu amo e da tua condição desprezível".
Ora, acontece que o estudante em questão professa a religião islâmica, pelo que nem lhe cabe na cabeça submeter-se a semelhante tratamento. Vendo aqui o lançamento das sementes para um possível ataque terrorista, o grupo de jovens recita o seu cântico satânico:
"F-R-A! FRÁ! ***** F-R-E! FRÉ! ***** F-R-I! FRÍ! ***** F-R-O! FRÓ! ***** F-R-U! FRÚ!
FRÁ! - FRÉ! - FRÍ! - FRÓ! - FRÚ!
ALIQUÁ QUÁ QUÁ! (bis)
CHIRIBIRIBI-TÁ-TÁ-TÁ! (bis)
HURRA! HURRA! HURRA!
Aserejé ja de je
de jebe tu de jebere
seibiunouva majavi
an de bugui an de güididípi"
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 3: Indivíduo do BarclayCard interpela Testemunhas de Jeová
Vão duas Testemunhas de Jeová a caminhar num centro comercial [Eu sei que nunca ninguém viu duas Testemunhas de Jeová num centro comercial] e nisto são abordadas pelo/a representante da Barclaycard, que está no seu trabalho honesto de assediar quem por ali passa para que subscreva o cartão de crédito PremiumUltraPlusGold, de forma totalmente gratuita e sem qualquer mensalidade ou anuidade, por apenas 9,99€ por mês.
Vendo-se nesta situação desconfortável, as Testemunhas de Jeová perguntam-lhe se gosta de ler e se sabe o que é a Verdade.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 4: Testemunhas de Jeová interpelam indivíduo do BarclayCard
Vai um/a representante do Barclaycard na rua [Eu sei que nunca ninguém viu um representante do BarclayCard na rua] e nisto é abordado/a por duas Testemunhas de Jeová, que estão no seu trabalho honesto de abordar quem por ali perguntando-lhe se gosta de ler e se sabe o que é a Verdade.
Vendo-se nesta situação desconfortável, o/a representante do BarclayCard propõe a subscrição do cartão de crédito PremiumUltraPlusGold, de forma totalmente gratuita e sem qualquer mensalidade ou anuidade, por apenas 9,99€ por mês.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 5: Criança chora sem parar num restaurante
Um casal está num restaurante com o/a seu/sua filho/a. A criança, de muito tenra idade, desata a chorar e a berrar sem cessar, para evidente embaraço dos pais, que não estão a conseguir conter a situação.
Todos os clientes do restaurante, que já não suportam o choro e os berros da criança, fitam o casal com aquele olhar do género "A criança pára com isso, ou quê?", mas sem dizerem uma palavra.
As alternativas são as seguintes:
Alternativa 1: O pai aplica um sopapo na criança, que chora por ter levado um sopapo mas dali a 20 segundos passa a estar quieta.
Reacção dos espectadores: "Isto é inadmissível, no século XXI ainda há pais a baterem nos filhos".
Alternativa 1a: Exactamente o descrito antes mas com o pormenor de os pais serem estrangeiros - a reacção já passa a ser a seguinte: " Isso é assim mas é na vossa terra".
Alternativa 2: Os pais ficam-se apenas pelas advertências verbais e a criança continua a chorar. Os espectadores vão dizendo entre dentes "Estes pais agora não têm mão na canalha! Isto comigo era uma chapadona que ele/a nem piava".
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 6: Indivíduo vai estacionar, mas está lá um Smart escondido
Dia de Outono, com vento e chuva. O indivíduo procura um lugar para estacionar perto de casa e vê um lugar disponível. Coloca o carro no ângulo adequado para estacionar o carro rapidamente, mas para sua desgraça lá está o Smart da vizinha do prédio ao lado e que não se via a 10 metros de distância. O indivíduo é forçado a estacionar a 100 metros de casa e vem para casa carregado com uma infinidade de coisas, enquanto a vizinha do Smart assiste à janela divertida com a situação enquanto fuma o seu cigarro. O indivíduo abre a porta do prédio, e nisto repara que alguém acabou de tirar um carro do estacionamento mesmo à frente da porta do seu prédio.
E SE FOSSE CONSIGO?
Situação 7: Indivíduo esmaga uma mosca no local errado, à hora errada
Num almoço de colegas, um indivíduo, farto da presença da mosca a esvoaçar em seu redor, consegue, juntando as palmas das mãos rapidamente, esmagar a mosca no seu voo. Faz para os outros aquele sorriso de "Aposto que vocês não eram capazes!" - o problema é que à sua frente está um ambientalista e defensor dos direitos dos animais, que lhe ensina em tom ríspido que acabou de danificar o ecossistema e que está a contribuir para a extinção da espécie.
E SE FOSSE CONSIGO?
Agora não me lembro de mais. Se me lembrar, logo ponho noutra mensagem.
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Sobre os Jogos Olímpicos
Sobre os Jogos Olímpicos: é muito fácil classificar como "decepcionante", "paupérrima", "fraquinha", "desoladora" ou usando termos análogos a participação dos atletas portugueses nos Jogos Olímpicos. Pudera, afinal de contas só a Telma Monteiro lá conseguiu trazer uma medalhinha de bronze (e nem sei como nem se aludiu ao facto de as regras do judo possibilitarem que se atribuam duas medalhas de bronze...).
Olhar apenas para o número de medalhas conquistadas é extremamente redutor. Que eu saiba, obrigados a ganhar medalhas só estão aqueles que regularmente se mostram claramente superiores aos outros (ex: equipas de basquetebol dos Estados Unidos). Foi só uma medalha? Paciência.
O que se tem notado, sobretudo desde o início do novo século (e felizmente tenho dados que o podem provar), o nível médio dos desportistas portugueses tem subido EM VÁRIAS MODALIDADES e cada vez mais se aproxima dos lugares de topo. É isto que é importante salientar (se é que é importante salientar). As medalhas são obtidas por atletas excepcionais que tiveram um ou vários dias que correram melhor que os de outros atletas excepcionais.
Ainda aqui há um mês, toda a gente exultava: selecção portuguesa campeã europeia de futebol, selecção portuguesa campeã europeia de hóquei em patins, várias medalhas no Campeonato da Europa de atletismo... Agora chegaram os Jogos Olímpicos, e foi "a miséria que se viu".
Os Jogos Olímpicos são um evento que passa ao lado da esmagadora maioria da população portuguesa (basta ver os índices de audiências televisivas). Mas não falta quem, de quatro em quatro anos, veja o seu bacoco nacionalismo/patriotismo ofendido pelos atletas olímpicos, que afinal de contas praticamente ninguém conhece. Alguns foram campeões do mundo e/ou da Europa, mas isso pouco importa.
É algo que me causa estranheza: exige-se resultados a quem nem se conhece ou nunca se ouviu falar?
Proponho o seguinte exercício: que atletas olímpicos seriam reconhecidos por pelo menos 1% da população portuguesa, se fossem apresentadas apenas fotografias do rosto dos atletas sem qualquer contexto (algo do género: "Sabe identificar esta pessoa?")?
Numa perspectiva optimista, apresento os seguintes nomes:
André Martins (futebol)
Bruno Fernandes (futebol)
Carlos Mané (futebol)
Bruno Varela (futebol)
Dulce Félix (atletismo)
Emanuel Silva (canoagem)
Fernando Pimenta (canoagem)
Edgar Ié (futebol)
Gonçalo Paciência (futebol)
Jéssica Augusto (atletismo)
João Sousa (ténis)
Nelson Évora (atletismo)
Patrícia Mamona (atletismo)
Ricardo Esgaio (futebol)
Rui Costa (ciclismo de estrada)
Salvador Agra (futebol)
Sara Moreira (atletismo)
Sérgio Oliveira (futebol)
Telma Monteiro (judo)
Tiago Ilori (futebol)
Tobias Figueiredo (futebol)
André Martins (futebol)
Bruno Fernandes (futebol)
Carlos Mané (futebol)
Bruno Varela (futebol)
Dulce Félix (atletismo)
Emanuel Silva (canoagem)
Fernando Pimenta (canoagem)
Edgar Ié (futebol)
Gonçalo Paciência (futebol)
Jéssica Augusto (atletismo)
João Sousa (ténis)
Nelson Évora (atletismo)
Patrícia Mamona (atletismo)
Ricardo Esgaio (futebol)
Rui Costa (ciclismo de estrada)
Salvador Agra (futebol)
Sara Moreira (atletismo)
Sérgio Oliveira (futebol)
Telma Monteiro (judo)
Tiago Ilori (futebol)
Tobias Figueiredo (futebol)
11 futebolistas em 21 desportistas. Quantas medalhas podiam ganhar estes 11 futebolistas em conjunto? Uma, só.
Haverá pelo menos 5% da população portuguesa que "já ouviu falar" desses nomes, aos quais acrescento:
Ana Rente (ginástica)
Ana Cabecinha (atletismo)
Gastão Elias (ténis)
João Pereira (triatlo)
João Silva (triatlo)
Marcos Freitas (ténis de mesa)
Marta Pen (atletismo)
Nelson Oliveira (ciclismo de estrada)
Tsanko Arnaudov (atletismo)
Teresa Portela (canoagem)
Tiago Apolónia (ténis de mesa)
Tomás Podstawski (futebol)
Ana Cabecinha (atletismo)
Gastão Elias (ténis)
João Pereira (triatlo)
João Silva (triatlo)
Marcos Freitas (ténis de mesa)
Marta Pen (atletismo)
Nelson Oliveira (ciclismo de estrada)
Tsanko Arnaudov (atletismo)
Teresa Portela (canoagem)
Tiago Apolónia (ténis de mesa)
Tomás Podstawski (futebol)
São muitos? Não.
Se não gostam de desporto, não vejam os Jogos Olímpicos se não quiserem, mas pelo menos não falem do que não sabem.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Cidadão antidocente
Esta mensagem já peca por tardia, mas tinha de aparecer.
É dedicada a si, cidadão antidocente que tem por hábito rebaixar os professores nas caixas de comentários do Jornal de Notícias ou no "Blog de ArLindo".
Como eu não o conheço, vou tratá-lo pelo nome que as Finanças o tratam quando entrega a declaração de IRS, pelo que não ficará ofendido se o tratar por sr. Sujeito Passivo.
É dedicada a si, cidadão antidocente que tem por hábito rebaixar os professores nas caixas de comentários do Jornal de Notícias ou no "Blog de ArLindo".
Como eu não o conheço, vou tratá-lo pelo nome que as Finanças o tratam quando entrega a declaração de IRS, pelo que não ficará ofendido se o tratar por sr. Sujeito Passivo.
O sr. Sujeito Passivo tem por hábito afirmar que os professores trabalham muito menos horas por dia que os restantes trabalhadores. Isto já foi confirmado por uns e rebatido por outros vezes sem conta, pelo que não vale a pena estar a insistir por aí.
Só peço que olhe para as fotografias em baixo e tente adivinhar quando é que eu estive a corrigir as 1303 páginas que aí vê, correspondentes a 540 classificações referentes a 135 alunos. Há quem tenha muito mais para fazer, pelo que nem me queixo do trabalho que tenho de fazer, assim como não me queixo do meu salário - não ganho mal, comparativamente a muita gente. Mas também não sou uma "gordura" do estado.
Só peço que olhe para as fotografias em baixo e tente adivinhar quando é que eu estive a corrigir as 1303 páginas que aí vê, correspondentes a 540 classificações referentes a 135 alunos. Há quem tenha muito mais para fazer, pelo que nem me queixo do trabalho que tenho de fazer, assim como não me queixo do meu salário - não ganho mal, comparativamente a muita gente. Mas também não sou uma "gordura" do estado.
Voltando ao desafio que lhe coloquei, não elaborei nem corrigi esses testes ENQUANTO dava aulas aos alunos - aquilo que o sr. Sujeito Passivo considera que é aquilo a que se resume o meu trabalho. Talvez não acredite nos números que lhe apresentei, mas a indicação da espessura e do peso talvez lhe abram os olhos. Para rematar, tive alunos que se queixavam de que os meus testes "não tinham imagens" - pelo que não há espaços mortos.
O sr. Sujeito Passivo defende um ensino exigente, no qual os alunos sejam avaliados com rigor (e com toda a razão), até porque a exigência acabou com o final dos exames da antiga quarta classe. Por esse motivo, percebe que cada uma dessas 1303 páginas tem de ser vista e revista cuidadosamente.
Sr. Sujeito Passivo, eu sei que toda a gente tem o pior trabalho do mundo (ou é mal paga, ou pelos horários, ou porque se esforça muito, ou porque lida com anormais, etc.). Só peço que nos tente entender um bocadinho.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Eleições legislativas 2015
Muito há para dizer sobre as eleições legislativas de ontem.
Ganhou a coligação PAF, o que pelos vistos chocou muita gente nas redes sociais, pois durante estes 4 anos muitos foram os protestos contra o governo em praticamente todas as áreas.
Assumamos que dos 9.439.161 inscritos para votar, 7.368.275 estavam claramente descontentes com o governo e queriam que ele caísse.
Pois estes 7.368.275 eleitores ou se abstiveram, ou votaram branco ou nulo ou distribuíram os seus votos por mais de uma dúzia de partidos. Os restantes 2.070.886 chegaram para ganhar as eleições.
Todos sabem que pelo menos 60% dos votantes no PSD, PS, PCP e CDS são "adeptos" do seu partido, ou seja, votam sempre nele seja qual for o contexto. E pelo que me é dado a entender, o PSD é quem tem mais adeptos que nunca mudam de partido.
Depois há aqueles que votam no PS só para o PSD não ganhar, e que anos mais tarde votam no PSD só para o PS não ganhar, daí que durante as décadas não se prevê que o paradigma mude.
Mas o queria desenvolver aqui é a minha teoria de que as eleições legislativas em Portugal, contrariamente às presidenciais e às europeias, são uma batota.
1. Círculos eleitorais
Os círculos eleitorais são um completamento enviesamento dos resultados apurados nas urnas.
Os votos no PSD, CDS, PS, BE e CDU corresponderam a 92,85% do total de votos válidos. Contudo, estes partidos ocuparão mais de 99% dos lugares na Assembleia da República. E isto porquê?
Porque de facto não se está a votar para um Parlamento, mas para 22 pseudo-parlamentinhos que não representam o todo e que privilegiam partidos com grande base local (por exemplo, a CDU no Alentejo). Portanto, os votos não são todos iguais. Custa muito fazer um único círculo eleitoral como nas eleições europeias?
Passemos a um caso prático: o PSD nos Açores e na Madeira concorreu separado do CDS (outro assunto a desenvolver adiante). Os 81054 votos que aí obteve chegaram bem para eleger 5 deputados; por outro lado, a diferença no país todo entre o BE e a CDU foi de cerca de 105 mil votos e apenas 2 deputados. O PAN com "o Estádio da Luz cheio" viu-se à rasca para eleger um. E o que dizer do PDR e do PCTP/MRPP, que com 60 mil votos cada um não elegeram nenhum? Isto é justo?
2. Os boletins de voto não são todos iguais
Que sistema é este que não põe os portugueses a votar todos por igual? Que impede que possa votar em certo partido só porque não estou no círculo eleitoral onde ele concorre!
E o que dizer dos partidos que nuns sítios concorrem juntos, e noutros separados? Portugal é diferente nesses sítios? Em Lisboa somos todos amigos mas nas Regiões Autónomas é cada um por si. O Parlamento não é o mesmo?
3. Aniquilamento dos "pequenos" partidos
Como já foi descrito no ponto 1, o sistema dificulta a vida aos designados "pequenos" partidos, que têm de conquistar os seus lugares na Assembleia da República a pulso. Por isso dou os meus parabéns ao PAN (de quem não tenho grande simpatia) e seguramente que para eles será mais fácil doravante eleger mais deputados, porque deixarão de ser falados apenas quando há eleições e defendem e promovem a única causa que verdadeiramente comove as pessoas, que é a elevação do cão a animal sagrado (como as vacas na Índia).
Os pequenos partidos ganharam mais de 120 mil votos em relação a 2011, e têm sido ignorados pelos meios de comunicação social quando fazem conjecturas sobre quem "roubou" os votos a quem. Vejam lá os números, se fazem favor.
E lá atrás dizia que eles têm de subir a pulso porque nunca têm oportunidade de esgrimir argumentos contra os grandes partidos.
Com a disseminação de meios de comunicação social que existem, seria interessante criar uma regra na qual todos os partidos estivessem presentes em apenas 3 debates individuais, com adversário definido por sorteio. A título pessoal, teria sido muito mais estimulante assistir aos seguintes debates do que àqueles a que estamos habituados:
Passos Coelho vs. líder do PAN
António Costa vs. Marinho e Pinto
Paulo Portas vs. líder do PNR
Catarina Martins vs. Rui Tavares
Jerónimo de Sousa vs. Garcia Pereira
E assim se veria até que ponto os pequenos partidos conseguiriam defrontar os grandes (uma Taça de Portugal aplicada à política, em vez da Liga dos Campeões) e criar um efeito-surpresa.
Agora é tempo de ouvir a mesma lengalenga de sempre: a "estabilidade", o "consenso", e outros termos tão caros ao politiques de que agora não me lembro...
Ganhou a coligação PAF, o que pelos vistos chocou muita gente nas redes sociais, pois durante estes 4 anos muitos foram os protestos contra o governo em praticamente todas as áreas.
Assumamos que dos 9.439.161 inscritos para votar, 7.368.275 estavam claramente descontentes com o governo e queriam que ele caísse.
Pois estes 7.368.275 eleitores ou se abstiveram, ou votaram branco ou nulo ou distribuíram os seus votos por mais de uma dúzia de partidos. Os restantes 2.070.886 chegaram para ganhar as eleições.
Todos sabem que pelo menos 60% dos votantes no PSD, PS, PCP e CDS são "adeptos" do seu partido, ou seja, votam sempre nele seja qual for o contexto. E pelo que me é dado a entender, o PSD é quem tem mais adeptos que nunca mudam de partido.
Depois há aqueles que votam no PS só para o PSD não ganhar, e que anos mais tarde votam no PSD só para o PS não ganhar, daí que durante as décadas não se prevê que o paradigma mude.
Mas o queria desenvolver aqui é a minha teoria de que as eleições legislativas em Portugal, contrariamente às presidenciais e às europeias, são uma batota.
1. Círculos eleitorais
Os círculos eleitorais são um completamento enviesamento dos resultados apurados nas urnas.
Os votos no PSD, CDS, PS, BE e CDU corresponderam a 92,85% do total de votos válidos. Contudo, estes partidos ocuparão mais de 99% dos lugares na Assembleia da República. E isto porquê?
Porque de facto não se está a votar para um Parlamento, mas para 22 pseudo-parlamentinhos que não representam o todo e que privilegiam partidos com grande base local (por exemplo, a CDU no Alentejo). Portanto, os votos não são todos iguais. Custa muito fazer um único círculo eleitoral como nas eleições europeias?
Passemos a um caso prático: o PSD nos Açores e na Madeira concorreu separado do CDS (outro assunto a desenvolver adiante). Os 81054 votos que aí obteve chegaram bem para eleger 5 deputados; por outro lado, a diferença no país todo entre o BE e a CDU foi de cerca de 105 mil votos e apenas 2 deputados. O PAN com "o Estádio da Luz cheio" viu-se à rasca para eleger um. E o que dizer do PDR e do PCTP/MRPP, que com 60 mil votos cada um não elegeram nenhum? Isto é justo?
2. Os boletins de voto não são todos iguais
Que sistema é este que não põe os portugueses a votar todos por igual? Que impede que possa votar em certo partido só porque não estou no círculo eleitoral onde ele concorre!
E o que dizer dos partidos que nuns sítios concorrem juntos, e noutros separados? Portugal é diferente nesses sítios? Em Lisboa somos todos amigos mas nas Regiões Autónomas é cada um por si. O Parlamento não é o mesmo?
3. Aniquilamento dos "pequenos" partidos
Como já foi descrito no ponto 1, o sistema dificulta a vida aos designados "pequenos" partidos, que têm de conquistar os seus lugares na Assembleia da República a pulso. Por isso dou os meus parabéns ao PAN (de quem não tenho grande simpatia) e seguramente que para eles será mais fácil doravante eleger mais deputados, porque deixarão de ser falados apenas quando há eleições e defendem e promovem a única causa que verdadeiramente comove as pessoas, que é a elevação do cão a animal sagrado (como as vacas na Índia).
Os pequenos partidos ganharam mais de 120 mil votos em relação a 2011, e têm sido ignorados pelos meios de comunicação social quando fazem conjecturas sobre quem "roubou" os votos a quem. Vejam lá os números, se fazem favor.
E lá atrás dizia que eles têm de subir a pulso porque nunca têm oportunidade de esgrimir argumentos contra os grandes partidos.
Com a disseminação de meios de comunicação social que existem, seria interessante criar uma regra na qual todos os partidos estivessem presentes em apenas 3 debates individuais, com adversário definido por sorteio. A título pessoal, teria sido muito mais estimulante assistir aos seguintes debates do que àqueles a que estamos habituados:
Passos Coelho vs. líder do PAN
António Costa vs. Marinho e Pinto
Paulo Portas vs. líder do PNR
Catarina Martins vs. Rui Tavares
Jerónimo de Sousa vs. Garcia Pereira
E assim se veria até que ponto os pequenos partidos conseguiriam defrontar os grandes (uma Taça de Portugal aplicada à política, em vez da Liga dos Campeões) e criar um efeito-surpresa.
Agora é tempo de ouvir a mesma lengalenga de sempre: a "estabilidade", o "consenso", e outros termos tão caros ao politiques de que agora não me lembro...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Um benfiquista no estádio Alvalade XXI
Tive sorte num sorteio e ganhei bilhetes para ver o Sporting - Benfica.
Já não ia àquele estádio desde 2010, portanto era quase como se fosse a primeira vez.
Espantou-me a falta de informação sobre a numeração das bancadas, o que nos levou a perguntar várias vezes aos assistentes onde era o sector que nos estava alocado.
Depois, veio a homenagem aos campeões nacionais de 1981/82, nos quais se destacava Manuel Fernandes, que tinha marcado 4 golos ao Benfica nos 7:1. O problema é que quem desconhece a história do futebol e assistiu à cena ficou a pensar que foi nesse ano que o Sporting ganhou 7:1 ao Benfica.
Novo momento digno de registo: a apresentação das equipas. Foi apresentada em primeiro lugar a equipa do Sporting e depois a equipa de arbitragem. E pensava eu "olha, eu estava convencido que na apresentação das equipas começavam sempre pelos forasteiros". E a apresentação ficou por ali. Fiquei apreensivo, porque afinal o Sporting ia jogar sozinho.
Chegava o momento da coreografia: todo o estádio com os cartões verdes e brancos no ar! Um verdadeiro festival aéreo, tal foi a quantidade de aviões de papel que voaram (e alguns durante muitos segundos - há que felicitar os lançadores por isso) dentro do estádio ao longo das mais de duas horas em que lá estive.
Chegou a primeira parte, na qual o Sporting, mesmo a jogar sozinho, não conseguiu marcar um golo que fosse. Ao intervalo, "Sporting 0:0 Visitante". Ai afinal o Sporting tinha um adversário e chamava-se "Visitante"? Quem é que são esses? Ainda por cima a jogarem com equipamento igual ao Benfica?
Eis o momento do sorteio da "Final Four" da Taça de futsal da UEFA. A dada altura, o locutor pede palmas para a UEFA (se o Sporting perder com o Barcelona quero ver se pedem a repetição do jogo).
Na segunda parte fiquei a saber quem eram alguns dos jogadores do Visitante, pelos cartões amarelos que viram e por saírem ou entrarem nas substituições. Questionei-me se em vez de nomes como "Maxi Pereira", "Samaris" ou "Talisca" não deveriam ter sido referidos como "indivíduo 14", "indivíduo 7" e "indivíduo 30".
A dada altura na segunda parte, eis que cai uma tocha verde junto ao guarda-redes do Visitante. Ora bolas, lá ia o Benfica ser multado pela Liga, porque quando os adeptos do Sporting provocam distúrbios quem paga as multas é o Benfica.
Golo do Sporting! Finalmente conseguiam derrotar o Visitante, que jogava com 9 jogadores desde o apito inicial, pois os dois que jogavam do lado esquerdo eram peças decorativas e a equipa no seu todo não fazia uma jogada como deve ser.
Contra todas as expectativas, o Visitante empata quase no fim, com um golo do indivíduo 33, denominado Jardel. E eu pensava que esse já não jogava.
Já não ia àquele estádio desde 2010, portanto era quase como se fosse a primeira vez.
Espantou-me a falta de informação sobre a numeração das bancadas, o que nos levou a perguntar várias vezes aos assistentes onde era o sector que nos estava alocado.
Depois, veio a homenagem aos campeões nacionais de 1981/82, nos quais se destacava Manuel Fernandes, que tinha marcado 4 golos ao Benfica nos 7:1. O problema é que quem desconhece a história do futebol e assistiu à cena ficou a pensar que foi nesse ano que o Sporting ganhou 7:1 ao Benfica.
Novo momento digno de registo: a apresentação das equipas. Foi apresentada em primeiro lugar a equipa do Sporting e depois a equipa de arbitragem. E pensava eu "olha, eu estava convencido que na apresentação das equipas começavam sempre pelos forasteiros". E a apresentação ficou por ali. Fiquei apreensivo, porque afinal o Sporting ia jogar sozinho.
Chegava o momento da coreografia: todo o estádio com os cartões verdes e brancos no ar! Um verdadeiro festival aéreo, tal foi a quantidade de aviões de papel que voaram (e alguns durante muitos segundos - há que felicitar os lançadores por isso) dentro do estádio ao longo das mais de duas horas em que lá estive.
Chegou a primeira parte, na qual o Sporting, mesmo a jogar sozinho, não conseguiu marcar um golo que fosse. Ao intervalo, "Sporting 0:0 Visitante". Ai afinal o Sporting tinha um adversário e chamava-se "Visitante"? Quem é que são esses? Ainda por cima a jogarem com equipamento igual ao Benfica?
Eis o momento do sorteio da "Final Four" da Taça de futsal da UEFA. A dada altura, o locutor pede palmas para a UEFA (se o Sporting perder com o Barcelona quero ver se pedem a repetição do jogo).
Na segunda parte fiquei a saber quem eram alguns dos jogadores do Visitante, pelos cartões amarelos que viram e por saírem ou entrarem nas substituições. Questionei-me se em vez de nomes como "Maxi Pereira", "Samaris" ou "Talisca" não deveriam ter sido referidos como "indivíduo 14", "indivíduo 7" e "indivíduo 30".
A dada altura na segunda parte, eis que cai uma tocha verde junto ao guarda-redes do Visitante. Ora bolas, lá ia o Benfica ser multado pela Liga, porque quando os adeptos do Sporting provocam distúrbios quem paga as multas é o Benfica.
Golo do Sporting! Finalmente conseguiam derrotar o Visitante, que jogava com 9 jogadores desde o apito inicial, pois os dois que jogavam do lado esquerdo eram peças decorativas e a equipa no seu todo não fazia uma jogada como deve ser.
Contra todas as expectativas, o Visitante empata quase no fim, com um golo do indivíduo 33, denominado Jardel. E eu pensava que esse já não jogava.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Tête de la course
Tête de la course: uma das primeiras expressões que aprendi em francês, talvez até a primeira, ainda bem antes de ter Francês na escola e fruto do meu constante e apaixonado acompanhamento da Volta à França em ciclismo.
O leitor mais velho talvez se lembre de que quando via imagens de eventos desportivos no estrangeiro as indicações apareciam sempre na língua em original: na fórmula 1, por exemplo, no GP de Itália aparecia "5 giri al termine", no ténis era "Avantage [jogador]" e "Égalité" em Roland Garros, nos jogos da selecção nacional as informações também eram sempre dadas na língua do país onde se disputava o jogo.
Mas no ciclismo esta "tradição" foi permanecendo até à segunda década do século XXI. O seguidor do ciclismo habituou-se a ver expressões - todas com o mesmo significado - como tête de la course, testa di corsa, cabeza di carrera, kop van de wedstrijd, lasterketa burua, spitze ou, com a Volta à Polónia, ucieczka.
A pressão da globalização leva a que o esmagador inglês se imponha em todos os contextos e limite a diversidade linguística. Infelizmente...
O leitor mais velho talvez se lembre de que quando via imagens de eventos desportivos no estrangeiro as indicações apareciam sempre na língua em original: na fórmula 1, por exemplo, no GP de Itália aparecia "5 giri al termine", no ténis era "Avantage [jogador]" e "Égalité" em Roland Garros, nos jogos da selecção nacional as informações também eram sempre dadas na língua do país onde se disputava o jogo.
Mas no ciclismo esta "tradição" foi permanecendo até à segunda década do século XXI. O seguidor do ciclismo habituou-se a ver expressões - todas com o mesmo significado - como tête de la course, testa di corsa, cabeza di carrera, kop van de wedstrijd, lasterketa burua, spitze ou, com a Volta à Polónia, ucieczka.
A pressão da globalização leva a que o esmagador inglês se imponha em todos os contextos e limite a diversidade linguística. Infelizmente...
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