sexta-feira, 8 de março de 2019

Provar os tomates tenrinhos

Antevisão do programa "Quem quer namorar com o Agricultor?"

Está para estrear o programa que vai querer pôr as mulheres a namorar com uma profissão em vez de ser com um homem. Foi apresentada uma estatística de agricultores e outra de agricultores solteiros, creio eu para deixar claro que as mulheres não querem agricultores por serem agricultores. Pode ser verdade. (A Pordata tem estatísticas sobre o total de agricultores? E mais incrível ainda, estatísticas sobre agricultores solteiros?)

Como é fácil de perceber, tanto os agricultores como as candidatas terão sido escolhidos criteriosamente, no intuito de proporcionar aos telespectadores momentos de televisão "inesquecíveis".

Haverá aquelas que colocarão entraves bem originais:
"Ele não tem hectares que cheguem"
"Com este terreno todo, não conte comigo para pagar o IMI"
"Fomos a Mirandela [na verdade era Murça] e a primeira coisa que ele me mostrou foi uma porca. Quem é que ele acha que eu sou?"
"Anda uma pessoa a arranjar as unhas para ir mexer na terra?"
"É triste saber que ele nunca foi a Barcelona só porque tinha de dar comida às galinhas"
"Isto aqui não apanha o Netflix..."

Mas nem tudo pode ser mau num agricultor.
"Já provei dois tomates dele e estavam deliciosos"
"Com tanta vaca aqui, mais uma não lhe fará diferença"
"Nunca tinha experimentado comer uma cenoura crua"
"Gosto do facto de ele ter uma plantação de pepinos"
"Este casal de coelhos faz-me lembrar a Playboy"
"Lá em Montalegre [na verdade era Montalvão] aquelas árvores dão borracha. É engraçado"
"Quando chegámos a Oliveira de Azeméis [na verdade, Oliveira de Frades] fiquei logo com vontade de comer a carne tradicional da terra. Adoro bifanas!" [Oliveira de Frades intitula-se como a capital do frango do campo]
"Ele tem aqui vários instrumentos aos quais eu pretendo dar um novo uso"

Agora não me lembro de mais. Aceito sugestões.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Discriminação nos cereais

Curiosa disposição dos cereais de pequeno-almoço no Pingo Doce: estão divididos pelas categorias de Adultos, Adolescentes e Crianças. Toda a gente sabe que é impensável uma criança comer Fitness da Nestlé. E um adulto comer Nesquik Cereais.
E a distinção entre cereais de adolescente e de criança? Porque é que o Chocapic está na secção de criança e o Golden Grahams na de adolescente?
Porque não se discutem estas questões "fracturantes"?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Cacofonias futebolísticas

Antes de incidir sobre o tema em epígrafe, começava por lamentar mais uma tendência dos dias de hoje: a "triletrização" do futebol (e não só). Os nomes dos clubes têm de ser forçosamente reduzidos a 3 letras ou a siglas, não se percebe bem porquê.
Não espanta que quando a Suécia joga em casa com a Dinamarca e aparece SWE-DEN na televisão, apareça alguém a perguntar contra quem está a jogar a Suécia, e contra quem está a jogar a Polónia quando lá vai Andorra e se vê POL-AND.
Ora, nessas fotos que apresento a Atalanta é referida por "ATA" no jogo contra a Juventus e por "ATL" no jogo contra o Cagliari. Porquê?
Acontece que CAG-ATA se leria como o particípio passado (feminino, neste caso) do verbo "cagare", cuja tradução do italiano para o português é óbvia.
Agora imagine-se que o ADO Den Haag se apura consistentemente para as competições europeias. Se defrontasse o Cagliari, lá teríamos o CAG-ADO. Se o Cagliari defrontasse o Astana, seria CAG-AST. E o Levski contra o Astana? LEV-AST.
A propósito, tenho a convicção de que Fernando Gomes está a exercer a sua influência na UEFA de tal maneira que a selecção de Portugal nunca defrontará a Áustria enquanto o seleccionador austríaco for Franco Foda, por razões óbvias.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Novo fracasso dos Coletes Amarelos

No sábado tivemos mais uma manifestação dos Coletes Amarelos. Novo fracasso. Temo que seja sempre assim.
Um dos manifestantes afirmou que eles não são um grupo de arruaceiros, contrariamente aos de Paris. Realmente, quando alguém pensa nos Coletes Amarelos, pensa logo em gente que vai destruir o que houver para ser destruído, como o Daesh nos ensinou.
A solução é simples: mudem de indumentária.
Primeiro, pensei em manifestação dos Sapatos Vela. Mas cheguei à conclusão de que não seriam muito visíveis, excepto para aquelas mulheres que sabem como toda a gente está calçada.
Depois, pensei na manifestação das Camisas aos Quadrados. Mas isto pareceria muito masculino e pouco prático em dias de muito frio.
E à terceira foi de vez: a manifestação das Écharpes. Facilmente visíveis, reunirão consenso entre lesados do BES, malta que estará lá só porque sim, gente ligada à cultura e às artes, pseudo-intelectuais e indivíduos que têm a mania de dizer que foram a Barcelona.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Coletes Amarelos

Hoje foi o grande dia, em que os Coletes Amarelos "pararam" o país.
Opinar sobre o motivo que os levou a manifestarem-se seria dar importância a coisas sem importância nenhuma, como impostos, salários, reformas, corrupção, etc.
Vou centrar-me no depoimento de um manifestante, o qual referiu o seu desagrado pela fraca adesão da população: "estão 5 polícias por manifestante, o que demonstra que o povo está contente com as coisas e entretém-se é a festejar nos jogos de futebol".
É sabido que nestes momentos o futebol é o bode expiatório das diversas desgraças a que as pessoas são submetidas, como se fosse ofensivo festejar os sucessos da nossa equipa. Não é o mais importante da vida, mas não é a razão das desgraças.
Na rádio a repórter afirmava que a banda sonora incluía uma mistura entre José Afonso, o hino nacional - e, sugeriria eu, José Mário Branco. Podíamos ter a seguinte sequência:

Qual é a tua, ó meu
 P'ra andares a dizer
"quem manda aqui sou eu"?
Às armas! Às armas!
Pela pátria lutar!
Ti-ri-ri-ri-ri ti-ri-ri-ri-ri
 ti-ri-ri-ra-ra-ru-ri-iá-ié.

Lusitanismo insuficiente: se se conhecesse bem Portugal e os portugueses, é óbvio que há alturas muito melhores que outras para organizar manifestações, aquilo que em estrangeiro se diz timing.
São de evitar as seguintes épocas:
- Carnaval
- Santos populares
- Marcha do orgulho LGBT/gay/tuning/GTi de 130 cavalos
- 12/13 de Maio/Outubro
- noite do Halloween
- de 1 de Julho a 15 de Setembro
- quarta sexta-feira de Novembro
- quadra natalícia
- dia em que o campeonato nacional de futebol sénior masculino fica decidido
- dias de jogo da selecção nacional de 2 em 2 anos
- 11 de Novembro.

Têm o resto do calendário. Experimentem fazer a manifestação na passagem de ano para depois atirarem à cara dos portugueses que eles preferiram olhar para o fogo-de-artifício.
Por último, o colete amarelo pode ser uma bela fatiota para usar no próximo Carnaval, até porque isto de os homens se mascararem sempre de mulheres já cansa.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Verbo secalhar

Presente do indicativo:

Eu secalho
Tu secalhas
Ele/Ela secalha
Nós secalhamos
Vós secalhais
Eles/Elas secalham

Podem sempre completar o restante paradigma verbal. É fácil, é um verbo regular.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Leituras de restaurante

Pesadelo na Cozinha:

- eu acho que o comum dos mortais quando se sente "um bocado maldisposto" não vai de propósito a restaurante para pedir um bacalhau com batatas sem azeite;
- crianças a distribuir o pão: onde está a ASAE quando é necessário?;
- sala de leitura no restaurante: eu pensava que um restaurante e uma clínica dentária não tinham nada em comum. Afinal sim: o cliente está todo entretido a meio do segundo capítulo de um romance (o que indicia que já está à espera da refeição há algum tempo) e lá chega o maranho. Oh que chatice, logo agora que o enredo estava a ficar interessante.